Commentary Editorial
Diego Salmen:General: Brasil
deve
respeitar tratado antinuclear
Se por um lado o Brasil deve respeitar os tratados de não-proliferação de armas atômicas, por outro não pode "ficar parado" em relação ao conhecimento nuclear. Desta maneira, argumenta o general Francisco Albuquerque, o país consegue aumentar seu poder no cenário internacional sem desrespeitar a própria Constituição.
- Temos que ampliar nosso conhecimento do assunto, até porque isso não se refere especificamente à bomba atômica, mas sim à utilização da energia nuclear para inúmeros fins.
Em entrevista a Terra Magazine, o ex-comandante do Exército do governo Lula (2004 a 2007) atribui ao avanço nas pesquisas nucleares um efeito de dissuasão, mesmo que limitado, no jogo da política mundial. Impediria, assim, eventuais agressões estrangeiras ao país.
- Não acredito que tenha o mesmo resultado (do que possuir a bomba atômica), mas eu acho que tem uma ação dissuasória, sim.
Nesta quinta-feira, 24, o vice-presidente José de Alencar defendeu o desenvolvimento de armas nucleares para que o Brasil possa defender o pré-sal e aumentar seu poder de defesa. Albuquerque preferiu não comentar as declarações do vice-presidente.
Terra Magazine - O senhor acha necessário que o Brasil desenvolva armas nucleares?
General Francisco Albuquerque - Nós precisamos ter conhecimento, não especificamente sobre a fabricação da bomba atômica, porque isso vai contra o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (NR: assinado por FHC em 1997). Mas eu sou a favor que se tenha um profundo conhecimento da energia atômica.
Esse conhecimento teria o mesmo poder de dissuasão do que a bomba em si?
Eu não acredito que tenha o mesmo resultado, mas eu acho que tem uma ação dissuasória, sim.
Acredita que a descoberta do pré-sal pode gerar algum tipo de ambição internacional que ponha em risco a segurança do país?
O nosso patrimônio, como o patrimônio de qualquer nação, é sempre motivo de cobiça e preocupação. O patrimônio nacional tem que ser preservado, e o nosso pré-sal não deixa de ser um grande patrimônio. Ele está se apresentando como possibilidade de realmente transformar o Brasil a curto prazo.
O desenvolvimento de um artefato nuclear causaria desgaste ao país na comunidade internacional?
Não digo desgaste, mas a nossa Constituição e o tratado dizem que nós não vamos nos empenhar em construir a bomba atômica. Agora, isso realmente influencia o nosso comportamento dentro do contexto internacional.
Sim...
Temos que respeitar o tratado internacional e a nossa Constituição, mas também não podemos ficar parados. Temos que ampliar nosso conhecimento do assunto, até porque isso não se refere especificamente à bomba atômica, mas sim à utilização da energia nuclear para inúmeros fins.
O Jornal do Brasil publicou reportagens revelando que o físico Dalton Ellery Girão Barroso descobriu uma série de cálculos que levariam à construção exata da bomba...
Isso não deixa de ser conhecimento a respeito. E você vê que, de qualquer maneira, só o conhecimento deste homem, que está num estágio mais avançado, já gera uma preocupação em alguns lugares.
Diego Salmen é colunista da TerraMagazine. Seus pontos de vista são não necessariamente aqueles de Petroleumworld.
Nota del Editor: Este comentário foi publicado original por Terra Magazine , 2009-25-06. Nós reproduzimos o mesmos ao benefício dos leitores.
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Petroleumworld Brasil 09/26/09
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