A Petrobras está exigindo a entrada do grupo Odebrecht no megaprojeto do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) como contrapartida à participação da estatal na compra da Quattor – operação que resultará na criação da maior petroquímica da América Latina, segundo informou uma fonte que acompanha as negociações.
A questão é um dos últimos pontos que precisam ser definidos para o anúncio da nova companhia, afirmou a fonte. A concretização do negócio não ocorreu até agora porque a Petrobras teria estabelecido algumas condições à Braskem, produtora de resinas plásticas controlada pelo grupo Odebrecht.
A exigência faz sentido na ótica da Petrobras, uma vez que a estatal vê no Comperj um dos seus projetos prioritários. Além disso, o acordo para viabilizar a criação da Nova Braskem exige o aporte de investimentos pesados da Petrobras. Segundo algumas estimativas, a capitalização da Quattor pode chegar a R$ 4 bilhões. O grupo Odebrecht deverá ter controle majoritário da petroquímica.
Retorno ao setor
Desde o início do governo Lula, em 2003, a Petrobras decidiu voltar a investir mais intensamente no setor petroquímico, depois de ter se desfeito de inúmeros ativos durante o processo de privatização nos anos 1990. Nos últimos anos, a Petrobras adquiriu o grupo Ipiranga, a Suzano e ajudou a formar a Quattor.
O Comperj, um investimento orçado em US$ 8,5 bilhões, é um complexo que prevê o refino de óleo pesado extraído da bacia de Campos, no Rio de Janeiro, integrado à atividade de produção de resinas, matérias-primas usadas pelo setor de plásticos.
O projeto foi apresentado pelo grupo Ultra à Petrobras, mas o grupo privado já demonstrou desinteresse em investir na produção de resinas – seu interesse é no eteno, um insumo petroquímico, a fim de produzir especialidades químicas.
A Petrobras tentou atrair outros sócios, inclusive empresas estrangeiras. Mas não conseguiu. Em razão disso, a estatal já informou por inúmeras vezes que assumiria o investimento caso fosse necessário. Mas a entrada da Braskem no Comperj se encaixaria nos planos da Petrobras.
“Há muita especulação, e a verdade é que ainda não há negócio fechado. Se o resultado não for aumentar a participação da Petrobras na nova empresa, temos de pensar outros fatores”, disse a fonte.
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