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Agora, é a Índia que promete metas de redução de emissões

Por Revista Veja

O primeiro-ministro da Índia, Mahmohan Singh, afirmou neste sábado que seu país está disposto a comprometer-se com um objetivo "ambicioso" de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2), desde que dentro de um acordo "justo" compartilhado.

Singh não divulgou dados concretos. No entanto, ainda neste sábado, os canais de televisão CNN-IBN e Times Now anteciparam, citando o ministro indiano do Meio Ambiente, Jairam Ramesh, reduções de 20% a 25%. Uma fonte do ministério disse não poder confirmar o compromisso.

"A Índia está disposta a assinar um ambicioso acordo global para a redução das emissões (dos gases que provocam o efeito estufa) ou limitar o aumento da temperatura, mas isto deve ser acompanhado por um compromisso compartilhado", declarou Singh em Trinidad e Tobago, segundo um comunicado divulgado em Nova Délhi.

Singh está na capital de Trinidad e Tobago para a reunião de cúpula da Commonwealth (Comunidade Britânica), concentrada principalmente na questão do clima por causa da Conferência da ONU sobre as mudanças climáticas, que acontecerá de 7 a 18 de dezembro em Copenhague.

Com 1,2 bilhão de habitantes, a Índia é o único dos principais emissores de CO2 do planeta que ainda não anunciou oficialmente metas em números para a redução dos gases que provocam o esfeito estufa.

A China anunciou na quinta-feira pela primeira vez um objetivo de redução em números de suas emissões de gases que provocam o efeito estufa de 40% a 45% em 2020 na comparação com o nível de 2005. Um dia antes, o governo dos Estados Unidos apresentou, com o mesmo ano de referência, metas de redução das emissões de 17% até 2020 e 42% até 2030.

Outubro de 2009

Perguntas e Respostas

Convenção do Clima de Copenhague

Há mais de uma década a ONU promove encontros para discutir o aquecimento global e estabelecer regras para combatê-lo. De todos, o mais frutífero foi aquele que elaborou, em 1997, o Protocolo de Kyoto. Na época, porém, o documento determinou apenas metas válidas até 2012. Com intuito de traçar os objetivos a serem cumpridos depois desta data, líderes de todo o mundo se reunirão na Dinamarca em dezembro. Entenda em que pé estão as negociações e que tipo de acordo poderá ser estabelecido.

1. O que é a COP15?

A COP15, como o nome já sugere, é o décimo quinto encontro realizado pelos países signatários da Convenção Marco sobre Mudança Climática, acordo firmado durante a ECO-92, no Rio de Janeiro, que estabeleceu diretrizes para uma coordenação internacional contra o aquecimento global. A Convenção acontecerá em Copenhague, na Dinamarca, entre os dias 7 e 18 de dezembro de 2009.

2. Qual é o seu objetivo?

Negociar, redigir e aprovar os termos da segunda parte do Protocolo de Kyoto – a primeira foi elaborada e definida em 1997, entrou em vigor em 2005 e expira em 2012. Essa continuidade do Protocolo estabeleceria novas metas de redução da emissão de gases de efeito estufa a serem cumpridas a partir de 2013 ou 2014.

3. Quem vai participar do encontro?

Ministros do meio ambiente e representantes dos 192 países signatários da Convenção Marco sobre Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês). São aguardadas em Copenhague mais de 15.000 pessoas, entre autoridades da ONU, presidentes, diplomatas e jornalistas.

4. Qual será a principal discussão?

O debate central deve ser sobre a diminuição das emissões de gases causadores do efeito estufa, sobretudo o dióxido de carbono (CO2) – as propostas prevêem reduções de 25% a 40% até 2020, com base em valores obtidos em 1990. O objetivo é bem mais ousado do que o estipulado pela primeira parte do Protocolo, que era de reduzir em 5% as emissões entre 2008 e 2012. Naquela época, o cumprimento desta meta coube apenas aos países desenvolvidos – o Brasil e a Índia, por exemplo, não foram enquadrados na regra. Esta determinação, no entanto, deve ser revista em Copenhague e deve ser outro tema de importância nas discussões.

5. Qual é a chance de sucesso?

O sucesso do acordo depende em grande parte da adesão dos Estados Unidos. Segundo maior poluidor do mundo, o país não ratificou a primeira parte do Protocolo de Kyoto – na época, o então presidente George W. Bush alegou que reduzir as emissões prejudicaria a economia americana. Com a eleição de Barack Obama, o cenário se tornou mais positivo – logo após a posse, ele sugeriu que seu país diminuísse em 80% as emissões de gases de efeito até 2050 –, o que não significa, no entanto, que os EUA aderirão às cegas a qualquer proposta. Em recente entrevista ao New York Times, Yvo de Boer, secretário-executivo da COP15, declarou que pode não haver mais tempo para um acordo ser firmado em Copenhague. Ainda, segundo ele, a tendência é que os países anunciem medidas interinas e prossigam a discussão no próximo ano.

6. Quais são os países de maior destaque na negociação?

Os países em desenvolvimento, como o Brasil, a China e a Índia, cuja participação na poluição mundial vem aumentando significativamente. Também se destacam nações desenvolvidas como as da Europa, os EUA e o Canadá, que tradicionalmente são as que mais emitem poluentes.

7. O que o Brasil deve defender?

O Brasil deverá ser a favor de que os países em desenvolvimento também reduzam suas emissões. Esse posicionamento está alinhado com o Plano Nacional de Mudança Climática, que previu, por exemplo, a redução do desmatamento na Amazônia em 70% até 2017 – a atividade é a principal fonte de emissões de dióxido de carbono no país.

8. Quando começaram as convenções da ONU sobre o clima?

A primeira Convenção sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas aconteceu em Berlim, na Alemanha, em 1995. Foi então que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) publicou seu segundo relatório sobre o impacto do aquecimento global no planeta.

9. Que importantes negociações antecederam a COP15?

A primeira delas foi a ECO-92, no Rio de Janeiro, quando mais de 160 governos assinaram a Convenção Marco sobre Mudança Climática, dando início ao combate ao aquecimento global. Cinco anos depois, em Kyoto, no Japão, outro encontro negociou um acordo para reduzir a emissão de gases de efeito estufa – 84 países aderiram. O Protocolo de Kyoto, como ficou conhecido o tratado, entrou em vigor em 2005 com 150 nações signatárias. No final de 2007, durante a 13ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, na Indonésia, os participantes concordaram em iniciar negociações para formular a segunda parte de Kyoto.

10. Quais são as nações mais poluidoras do mundo?

Os maiores emissores de dióxido de carbono são, em ordem decrescente: China, EUA, Rússia, Índia, Japão, Alemanha, Canadá, Grã-Bretanha, Coreia do Sul e Irã. O Brasil ocupa a 17ª posição no ranking. (Com agência France-Presse)

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Do editor: Este comentário foi publicado original por Revista Veja, 28 de novembro de 2009.Nós reproduzimos o mesmos ao benefício dos leitores.

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Petroleumworld Brasil 29/11/09

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